Já era um espanto um time da magnitude do Santos ser tão dependente de um menino de 19 anos. Só mesmo atuando no nível em que Neymar vem atuando para se colocar neste status. Mesmo assim, o menino não se acomodou e ganhou quatro títulos pelo Santos. Todos como protagonista.
Ontem, Neymar mostrou que pode decidir mesmo sem estar em seus melhores dias. Jogou bem, sim, mas não no nível dele. Aliás, não só ontem, mas também no primeiro jogo da final, em Montevidéu. O gol feito por ele, mesmo sendo todo construído por Arouca, foi a prova da capacidade do garoto. Ele fez o improvável, chutou onde ninguém imagina e com a perna que, na teoria, não era a adequada para a posição. E fez o gol. O gol que deu a terceira Libertadores pro Santos depois de quase 50 anos.
Neymar poderia deixar o Brasil hoje. Já conquistou dois títulos estaduais, um nacional e um continental. Se o fizesse, não poderia ter uma crítica sequer. Rejeitou uma proposta milionária do futebol inglês no ano passado, raramente jogou mal, nunca fugiu de decisão, rejeitou ser poupado, brilhou. Brilhou mesmo caçado, mesmo sofrendo desconfiança. Brilhou em meio a brigas, críticas e discussões. Brilhou em um clube que teve o maior jogador da história como funcionário. Brilhou do seu jeito, da sua maneira.
Neymar me encanta. Me encanta por decidir uma final de Libertadores da América mesmo jogando abaixo de seu nível, por chamar a responsabilidade em todos os momentos, por não se omitir, por assumir os erros. Me encanta por me encantar mesmo não jogando no meu time.
Neymar deve sair em breve do Santos. E se sair, deve ser aplaudido. Muito aplaudido. Ele fez o jovem sentir alegria antes só sentida pelo idoso, fez o carente torcedor brasileiro ter uma luz num escuro túnel, fez o Brasil sentir um pouco do tão falado futebol arte, fez uma acostumada com Pelé o aplaudir de pé.
Gênio.
Foto:Reuters
quinta-feira, 23 de junho de 2011
sábado, 18 de junho de 2011
Aonde está o campeão brasileiro?
Foto:Paulo Sérgio/LANCENET
Jóbson entrou em campo dois dias antes de ser julgado na Suíça para enfrentar o atual campeão brasileiro. Com certeza não esperava tanta facilidade assim.O Fluminense foi medíocre, do início ao fim. Se o gol do Bahia não tivesse saído no fim, o resultado seria totalmente injusto. O tricolor baiano dominou o carioca tão facilmente que até Carlos Alberto, fora de ritmo de jogo, foi o nome do primeiro tempo da partida.
Quando o Fluminense vai começar a jogar de verdade no ano de 2011? Quando que o treinador badalado vai mostrar que valeu à pena uma espera de três meses e uma eliminação na Libertadores? Quando as estrelas do time vão brilhar?
Perguntas como essas, com certeza, estão na cabeça de todos os torcedores do Fluminense. Agora sem seu atacante, que mesmo sem merecer sequer estar no time titular do Fluminense, vai à Copa América com a seleção brasileira, o time parece viver situação semelhante à de boa parte do ano passado: sem Deco e sem Fred.
Naquela oportunidade, o time cresceu e arrancou para o título brasileiro. Dessa vez, não parece que vai funcionar. A defesa mostra claramente que funcionava apenas nas mãos de Muricy. Conca não é, com certeza, o do ano passado.
Abel precisa agir. O time não pode ser o mesmo dos dois últimos jogos. Precisa de mudança drástica. Ou então, lutar por vaga na Sulamericana do próximo ano.
quinta-feira, 16 de junho de 2011
O Peñarol não está morto!
Após o empate, justo, entre Santos e Peñarol ontem no Centenário, a torcida do Santos já se considera campeã. Parece que esqueceu que o clube uruguaio tem o mais do que o dobro de conquistas da competição do que o alvinegro praiano. Os jogadores, é claro, tem o discurso cauteloso. Mas no fundo, já se sentem com um pé em Tóquio. Não é por aí, Santos...
Em todas as cinco vezes em que o Peñarol foi campeão da Libertadores, o título veio fora de casa. Números nos ajudarão:
1960 - Olimpia(PAR) 1x1 Peñarol(0x1) - Manuel Ferreira, Assunção-PAR
1961 - Palmeiras 1x1 Peñarol(0x1) - Pacaembu, SãoPaulo-BRA
1966 - River Plate(ARG) 2x4 Peñarol (0x2)(3x2) - Nacional, Santiago-CHI (jogo desempate)
1982 - Cobreloa(CHI) 0x1 Peñarol (0x0) - Nacional, Santiago-CHI
1987 - América de Cali 0x1 Peñarol (2x0)(1x2) - Nacional, Santiago-CHI (jogo desempate)
As finais anteriores mostram claramente a força do Peñarol fora de casa. Força, inclusive, que se mostrou contra o Palmeiras, no próprio Pacaembu, palco da final de quarta-feira que vem. O conhecimento sobre como jogar fora de casa é antigo. Mostra-se que passou por cinco décadas e continua presente no clube de maior torcida do Uruguai. Na Libertadores desse ano, conquistou todas as vagas até a final jogando o segundo jogo longe de seus domínios.
Além de todo essa força, tradição e história, o Peñarol mostrou, não só ontem, que possui um time pouco técnico, mas organizado taticamente e com brilhos individuais, presentes principalmente em Martinuccio e Estoyanoff. A jogada e a ideia do time é sempre a mesma: fazer a bola chegar no ataque de qualquer maneira possível e marcar implacavelmente na defesa. Seja com chutões, carrinhos, contra-ataques ou jogadas individuais, o objetivo é sempre a área adversária. E a partir do momento em que a bola entra a favor dos uruguaios, o jogo se torna um só: ataque x defesa. E assim, o Peñarol sabe jogar muito bem. Marca com disciplina e não falha na maioria das vezes.
O time do Santos e seu comandante Muricy precisam saber que o Peñarol nunca se mostrou morto em nenhuma final de Libertadores, e não vai ser nessa que mostrará. É bom o alvinegro praiano abrir o olho, se não mais uma Libertadores vai escapar do colo dos santistas.
Em todas as cinco vezes em que o Peñarol foi campeão da Libertadores, o título veio fora de casa. Números nos ajudarão:
1960 - Olimpia(PAR) 1x1 Peñarol(0x1) - Manuel Ferreira, Assunção-PAR
1961 - Palmeiras 1x1 Peñarol(0x1) - Pacaembu, SãoPaulo-BRA
1966 - River Plate(ARG) 2x4 Peñarol (0x2)(3x2) - Nacional, Santiago-CHI (jogo desempate)
1982 - Cobreloa(CHI) 0x1 Peñarol (0x0) - Nacional, Santiago-CHI
1987 - América de Cali 0x1 Peñarol (2x0)(1x2) - Nacional, Santiago-CHI (jogo desempate)
As finais anteriores mostram claramente a força do Peñarol fora de casa. Força, inclusive, que se mostrou contra o Palmeiras, no próprio Pacaembu, palco da final de quarta-feira que vem. O conhecimento sobre como jogar fora de casa é antigo. Mostra-se que passou por cinco décadas e continua presente no clube de maior torcida do Uruguai. Na Libertadores desse ano, conquistou todas as vagas até a final jogando o segundo jogo longe de seus domínios.
Além de todo essa força, tradição e história, o Peñarol mostrou, não só ontem, que possui um time pouco técnico, mas organizado taticamente e com brilhos individuais, presentes principalmente em Martinuccio e Estoyanoff. A jogada e a ideia do time é sempre a mesma: fazer a bola chegar no ataque de qualquer maneira possível e marcar implacavelmente na defesa. Seja com chutões, carrinhos, contra-ataques ou jogadas individuais, o objetivo é sempre a área adversária. E a partir do momento em que a bola entra a favor dos uruguaios, o jogo se torna um só: ataque x defesa. E assim, o Peñarol sabe jogar muito bem. Marca com disciplina e não falha na maioria das vezes.
O time do Santos e seu comandante Muricy precisam saber que o Peñarol nunca se mostrou morto em nenhuma final de Libertadores, e não vai ser nessa que mostrará. É bom o alvinegro praiano abrir o olho, se não mais uma Libertadores vai escapar do colo dos santistas.
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