Já era um espanto um time da magnitude do Santos ser tão dependente de um menino de 19 anos. Só mesmo atuando no nível em que Neymar vem atuando para se colocar neste status. Mesmo assim, o menino não se acomodou e ganhou quatro títulos pelo Santos. Todos como protagonista.
Ontem, Neymar mostrou que pode decidir mesmo sem estar em seus melhores dias. Jogou bem, sim, mas não no nível dele. Aliás, não só ontem, mas também no primeiro jogo da final, em Montevidéu. O gol feito por ele, mesmo sendo todo construído por Arouca, foi a prova da capacidade do garoto. Ele fez o improvável, chutou onde ninguém imagina e com a perna que, na teoria, não era a adequada para a posição. E fez o gol. O gol que deu a terceira Libertadores pro Santos depois de quase 50 anos.
Neymar poderia deixar o Brasil hoje. Já conquistou dois títulos estaduais, um nacional e um continental. Se o fizesse, não poderia ter uma crítica sequer. Rejeitou uma proposta milionária do futebol inglês no ano passado, raramente jogou mal, nunca fugiu de decisão, rejeitou ser poupado, brilhou. Brilhou mesmo caçado, mesmo sofrendo desconfiança. Brilhou em meio a brigas, críticas e discussões. Brilhou em um clube que teve o maior jogador da história como funcionário. Brilhou do seu jeito, da sua maneira.
Neymar me encanta. Me encanta por decidir uma final de Libertadores da América mesmo jogando abaixo de seu nível, por chamar a responsabilidade em todos os momentos, por não se omitir, por assumir os erros. Me encanta por me encantar mesmo não jogando no meu time.
Neymar deve sair em breve do Santos. E se sair, deve ser aplaudido. Muito aplaudido. Ele fez o jovem sentir alegria antes só sentida pelo idoso, fez o carente torcedor brasileiro ter uma luz num escuro túnel, fez o Brasil sentir um pouco do tão falado futebol arte, fez uma acostumada com Pelé o aplaudir de pé.
Gênio.
Foto:Reuters
Nenhum comentário:
Postar um comentário