sábado, 6 de agosto de 2011

Polêmica com Fred é como um tiroteio de erros

Não existe um principal culpado na polêmica envolvendo Fred, Rafael Moura e os caipisaquês. A imprensa, de certo modo, errou, Fred errou, diretoria do Flu  e, principalmente, essa mínima parcela da torcida também.

 Os dois estavam em seu direito, visto que a noite do acontecimento era a última de folga até a segunda-feira da outra semana. Os torcedores nada tinham com isso. Não era horário de jogo, não era horário de treino, não era horário de concentração nem de viagem. Nenhum dos dois estavam machucados, sem jogar ou passando por algum problema com o clube. Se qualquer um dos dois estavam exagerando, cabe ao clube verificar isso. Mas se, e somente se, o acontecido tiver influenciado em seu desempenho profissional(o que pelo visto não atrapalhou, pois Rafael jogou e marcou um gol no dia seguinte a explosão da polêmica).

Fred errou, e muito, em não jogar na quinta-feira contra o Internacional. É o capitão do time, o jogador de salário mais alto, o principal atleta da equipe e o exemplo para os outros jogadores, principalmente os mais jovens. Incapacidade psicológica é uma teoria completamente descartada, já que tudo o que aconteceu com ele, aconteceu com Rafael, e o segundo atuou sem nenhum problema pelo Flu.Agora os erros se encontram. A diretoria permitiu a ausência dele contra o Inter, permitiu a ausência dele no treino da sexta e no jogo de domingo.

Fred se apresentará a seleção brasileira na segunda-feira, para o jogo contra a Alemanha, na própria Alemanha. Ou seja, Fred não tem condições psicológicas para atuar em seu próprio clube, que paga o seu salário, mas tem condições de atuar pela seleção. Diz ele que ligou para o Mano, explicou à ele toda a situação e que vai estar pronto para servir o Brasil na partida da próxima semana. Se Fred ligou para Mano, o técnico da seleção, que o convoca ocasionalmente e quando bem entende, para explicar tudo, por que não apareceu no treino da sexta e explicou tudo para o seu técnico de verdade? Abel Braga esperava Fred nas Laranjeiras para treinar e participar das atividades preliminares ao jogo contra o América. Mas ele não apareceu, até chegar uma notícia da diretoria dizendo que o atleta estava liberado das atividades e, consequentemente, da próxima partida.

Mas lembremos que tudo isto surgiu após uma matéria no jornal, um dia após a confusão. Perguntas pairam no ar. A 'festa' aconteceu de terça para quarta. Por quê o jornal só a noticiou na quinta-feira, dia da partida contra o Inter? Como o autor da matéria possui tantos detalhes do acontecido, desde a intervenção no bar, a nota fiscal da compra, a possível perseguição aos dois atletas e o destino de cada um após a confusão?

Me parece que toda esta situação é como uma sequência de chutes errados que ora acertam a cabeça de Fred, ora da torcida, ora da imprensa. Creio que, se o acontecido realmente aconteceu, a imprensa fez seu trabalho. Mas a dúvida que fica é: se a notícia não tivesse sido divulgada, Fred jogaria contra o Inter? Eu acho que sim, mas é um palpite. Esta polêmica é como uma névoa. Com certeza, 90% apoia Fred e o quer no Flu, mas essa mesma parte não sabe o que aconteceu de fato. A entrevista do atacante não foi esclarecedora. Não disse que fica nem que sai. Disse apenas que foi ameaçado e sente medo. Medo que parece não estar presente em Rafael Moura, que jogou e deu conta do recado.

Fred tem 6 jogos pelo Flu no Brasileiro e ainda pode se transferir para outro clube do Brasil. Segundo ele, não o fará por respeito à torcida, e que só sai se for para o exterior. Mas quem pode afirmar que ele terá respeito após desfalcar a equipe de forma tão misteriosa? É esperar e assistir.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Pequeno análise de Bolívia 1x1 Argentina


A abertura da Copa América foi o sinal claro de que, se a Argentina não mudar seu estilo de jogo, nosso principal rival no campeonato será o Uruguai. Por um lado, é bom. O Uruguai é o maior vencedor, empatado com a Argentina, mas não chega na final há 12 anos, quando chegou e perdeu para o Brasil na Copa América de 1999, no Paraguai.

Excluindo todo esse lado palpiteiro, a Argentina se mostrou um time desorganizado taticamente e sem conseguir conciliar suas indiscutíveis qualidades individuais presentes na maioria de seus jogadores com a eficiência coletiva. O primeiro tempo foi totalmente dominado pela Argentina, mas sem objetivo. O time jogava com três volantes (Mascherano, Cambiasso e Banega) e um deles, Mascherano, atuava de terceiro zagueiro quando a Bolívia chegava com a bola. Desnecessariamente. 

Assim, durante todo o primeiro tempo a Argentina não teve nenhuma chance clara, muito menos a Bolívia. Os bolivianos, na verdade, começaram o segundo tempo fazendo um gol sem querer. O brasileiro Edivaldo Rojas, do Naval de Portugal e com mãe boliviana, não conseguirá acertar um chute de calcanhar vindo de um escanteio naquele canto nunca mais em sua carreira. Assim como Banega nunca mais cometerá o ridículo erro que cometeu ao deixar a bola passar entre as suas pernas, postas em cima da linha do gol.

A Bolívia se segurou, e aos 20 minutos perdeu uma chance com Marcelo Moreno. Foi a melhor chance de gol do jogo e talvez a maior que Moreno terá em toda a Copa América. Por falta de recursos, o brasileiro/boliviano perdeu um gol feito. Primeiro ao cortar para a sua perna esquerda, a ruim. E depois, por titubear frente ao goleiro. 

Chutando táticas, Batista encheu o time argentino de atacantes até conseguir o milagroso golaço de Kun Agüero. Foi pouco para a seleção sede que quer ser campeã em casa.

Messi estava em campo?

Tévez estava em campo?

A Argentina terá problemas para vencer a Colômbia se continuar jogando da maneira que jogou hoje. A Costa Rica, para a felicidade dos argentinos, é peixe morto na competição. Assim como a Bolívia era...

Foto:AP

Adeus, Leo

A saída de Conca do Fluminense parece inevitável. Fontes afirmam que o jogador vai receber cerca de 10 milhões de euros ao ano, o que daria 885 mil euros por mês, o levando a ter o quinto maior salário do futebol mundial. Ganhando mais que Kaká, David Villa, Eto'o , Ibrahimovic e John Terry.

Se essa for mesmo a proposta e ele, como já chegaram a afirmar, não aceitou de primeira, a diretoria do Fluminense fez uma idiotice imensa. Conca já havia recusado duas propostas do mesmo clube. Não tão altas, é claro, mas do mesmo porte. Conca, então, mostrava visivelmente que queria continuar no Fluminense. Mas foi só pintar uma proposta mais alta, que a patrocinadora começou a coçar as mãos.

Em 13 anos de Fluminense, a Unimed investiu muito no clube. Teoricamente, o resultado foi satisfatório: um Campeonato Brasileiro, uma Copa do Brasil e dois Cariocas. Mas faltou expandir a marca da empresa pelo mundo, como esperavam em 2008. Então, o retorno financeiro precisava vir. E virá, com a venda do argentino.

A Unimed é detentora de 40% dos direitos federativos de Darío(o resto é divido entre Fluminense, 40%, e Traffic, 20%). Com isso, receberia quase metade da multa recisória do apoiador. A Traffic, também patrocinadora do Flamengo, está decepcionada com os primeiros seis meses de Ronaldinho na Gávea. Até hoje, o rubro-negro não conseguiu o tal patrocínio master que desejava (especula-se que o Fla quer 30 milhões para ceder o espaço do peito da camisa). Assim, seria mais um dinheiro que entra nos cofres da empresa para dar uma sobrevida na busca por patrocínios.

E o Fluminense? Pobre Fluminense! Abriu mão de suas promessas, Alan e Maicon, no fim de 2008, para conseguir comprar o passe de Conca em definitivo do River Plate. Definitivo? O Flu, bem que poderia tentar, mas não tem como segurar o jogador tendo 40% dele. Os outros 60% estavam interessados em vendê-lo, o empresário também, e o jogador balançado. O erro foi deixar a proposta chegar à ele. E não existe esta história de que o dinheiro vai para o CT. Isso é história antiga. Só nos resta dar adeus ao jogador.

Ah, e como é o nome do time mesmo? Guangzhou Evergrande, que acabou de subir da segunda divisão da China. É, vamos dar adeus mesmo ao Conca, que vai sumir por lá.

Adeus e obrigado, Darío Leonardo Conca.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

O menino que decide mesmo quando não brilha

Já era um espanto um time da magnitude do Santos ser tão dependente de um menino de 19 anos. Só mesmo atuando no nível em que Neymar vem atuando para se colocar neste status. Mesmo assim, o menino não se acomodou e ganhou quatro títulos pelo Santos. Todos como protagonista.

Ontem, Neymar mostrou que pode decidir mesmo sem estar em seus melhores dias. Jogou bem, sim, mas não no nível dele. Aliás, não só ontem, mas também no primeiro jogo da final, em Montevidéu. O gol feito por ele, mesmo sendo todo construído por Arouca, foi a prova da capacidade do garoto. Ele fez o improvável, chutou onde ninguém imagina e com a perna que, na teoria, não era a adequada para a posição. E fez o gol. O gol que deu a terceira Libertadores pro Santos depois de quase 50 anos.

Neymar poderia deixar o Brasil hoje. Já conquistou dois títulos estaduais, um nacional e um continental. Se o fizesse, não poderia ter uma crítica sequer. Rejeitou uma proposta milionária do futebol inglês no ano passado, raramente jogou mal, nunca fugiu de decisão, rejeitou ser poupado, brilhou. Brilhou mesmo caçado, mesmo sofrendo desconfiança. Brilhou em meio a brigas, críticas e discussões. Brilhou em um clube que teve o maior jogador da história como funcionário. Brilhou do seu jeito, da sua maneira.

Neymar me encanta. Me encanta por decidir uma final de Libertadores da América mesmo jogando abaixo de seu nível, por chamar a responsabilidade em todos os momentos, por não se omitir, por assumir os erros. Me encanta por me encantar mesmo não jogando no meu time.

Neymar deve sair em breve do Santos. E se sair, deve ser aplaudido. Muito aplaudido. Ele fez o jovem sentir alegria antes só sentida pelo idoso, fez o carente torcedor brasileiro ter uma luz num escuro túnel, fez o Brasil sentir um pouco do tão falado futebol arte, fez uma acostumada com Pelé o aplaudir de pé.

Gênio.

Foto:Reuters

sábado, 18 de junho de 2011

Aonde está o campeão brasileiro?

Foto:Paulo Sérgio/LANCENET
Jóbson entrou em campo dois dias antes de ser julgado na Suíça para enfrentar o atual campeão brasileiro. Com certeza não esperava tanta facilidade assim.

O Fluminense foi medíocre, do início ao fim. Se o gol do Bahia não tivesse saído no fim, o resultado seria totalmente injusto. O tricolor baiano dominou o carioca tão facilmente que até Carlos Alberto, fora de ritmo de jogo, foi o nome do primeiro tempo da partida.

Quando o Fluminense vai começar a jogar de verdade no ano de 2011? Quando que o treinador badalado vai mostrar que valeu à pena uma espera de três meses e uma eliminação na Libertadores? Quando as estrelas do time vão brilhar?

Perguntas como essas, com certeza, estão na cabeça de todos os torcedores do Fluminense. Agora sem seu atacante, que mesmo sem merecer sequer estar no time titular do Fluminense, vai à Copa América com a seleção brasileira, o time parece viver situação semelhante à de boa parte do ano passado: sem Deco e sem Fred. 

Naquela oportunidade, o time cresceu e arrancou para o título brasileiro. Dessa vez, não parece que vai funcionar. A defesa mostra claramente que funcionava apenas nas mãos de Muricy. Conca não é, com certeza, o do ano passado. 

Abel precisa agir. O time não pode ser o mesmo dos dois últimos jogos. Precisa de mudança drástica. Ou então, lutar por vaga na Sulamericana do próximo ano.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

O Peñarol não está morto!

Após o empate, justo, entre Santos e Peñarol ontem no Centenário, a torcida do Santos já se considera campeã. Parece que esqueceu que o clube uruguaio tem o mais do que o dobro de conquistas da competição do que o alvinegro praiano. Os jogadores, é claro, tem o discurso cauteloso. Mas no fundo, já se sentem com um pé em Tóquio. Não é por aí, Santos...

Em todas as cinco vezes em que o Peñarol foi campeão da Libertadores, o título veio fora de casa. Números nos ajudarão:

1960 - Olimpia(PAR) 1x1 Peñarol(0x1) - Manuel Ferreira, Assunção-PAR
1961 - Palmeiras 1x1 Peñarol(0x1) - Pacaembu, SãoPaulo-BRA
1966 - River Plate(ARG) 2x4 Peñarol (0x2)(3x2) - Nacional, Santiago-CHI (jogo desempate)
1982 - Cobreloa(CHI) 0x1 Peñarol (0x0) - Nacional, Santiago-CHI
1987 - América de Cali 0x1 Peñarol (2x0)(1x2) - Nacional, Santiago-CHI (jogo desempate)

As finais anteriores mostram claramente a força do Peñarol fora de casa. Força, inclusive, que se mostrou contra o Palmeiras, no próprio Pacaembu, palco da final de quarta-feira que vem. O conhecimento sobre como jogar fora de casa é antigo. Mostra-se que passou por cinco décadas e continua presente no clube de maior torcida do Uruguai. Na Libertadores desse ano, conquistou todas as vagas até a final jogando o segundo jogo longe de seus domínios.

Além de todo essa força, tradição e história, o Peñarol mostrou, não só ontem, que possui um time pouco técnico, mas organizado taticamente e com brilhos individuais, presentes principalmente em Martinuccio e Estoyanoff. A jogada e a ideia do time é sempre a mesma: fazer a bola chegar no ataque de qualquer maneira possível e marcar implacavelmente na defesa. Seja com chutões, carrinhos, contra-ataques ou jogadas individuais, o objetivo é sempre a área adversária. E a partir do momento em que a bola entra a favor dos uruguaios, o jogo se torna um só: ataque x defesa. E assim, o Peñarol sabe jogar muito bem. Marca com disciplina e não falha na maioria das vezes.

O time do Santos e seu comandante Muricy precisam saber que o Peñarol nunca se mostrou morto em nenhuma final de Libertadores, e não vai ser nessa que mostrará. É bom o alvinegro praiano abrir o olho, se não mais uma Libertadores vai escapar do colo dos santistas.

sábado, 14 de maio de 2011

Couvert após 35 anos de jejum

Tevez ergue a taça da Copa da Inglaterra do Manchester City (Foto: Reuters)

O Wembley foi palco de uma das partidas mais interessantes do ano na Inglaterra. De um lado, o Manchester City, sedento por títulos e esperançoso após eliminar o rival United na semifinal. Do outro, o modesto Stoke City, sabendo que já havia chegado longe. Se esperava um massacre do City, que não havia justificado o alto investimento no clube nos últimos anos. Robinho, Tévez, Yaya Touré, Dzeko, Adebayor, Balotelli, Elano, Kolo Touré , Barry , Vieira e muito mais foram contratados durante a gestão do atual dono do clube. E nenhum deles correspondeu ao que se esperava.

Com tanta pressão para cima de si, os Citizens pressionaram no início do primeiro tempo, sem resultado. A partir dos vinte minutos a partida se equilibrou e o Stoke começou a tentar voar mais alto. A partida foi cozinhando, alternando altos e baixos no quesito emoção.

Aos 29 minutos do segundo tempo, Yaya Touré marcou o gol do título. O mesmo Yaya Touré, que marcou o gol da classificação para a final em cima do United. O gol que ficará marcado na história como o fim do jejum de 35 anos do City. 35 anos depois do gol de Neil Young sobre o Leicester no mesmo Wembley e na mesma final de FA Cup.

O City comemora o título, e com merecimento. Mas com tantos investimentos, não pode considerar a FA Cup como um prato cheio pós-jejum. É no máximo um couvert. Objetivos maiores devem ser alcançados. A próxima temporada reserva uma Champions League no prato do Manchester. Basta saber se a 'boca' do clube é grande o suficiente para ela.

PS: O outro Manchester, o United, foi campeão do Campeonato Inglês pela 19ª vez. Em 12 delas, Ryan Giggs e Sir Alex Ferguson estavam presentes. Além de colocarem o nome do United na história, como o maior vencedor da Inglaterra, Giggs e Ferguson querem agora a Europa, decidida em 28 de maio, no mesmo Wembley do título do City, contra o Barcelona.

Foto:Reuters