sábado, 9 de abril de 2011

Choro vermelho

Andando despretensioso pela rua, vejo um homem sentado na calçada. Vestido de terno, o senhor aparentava ter uns 60 anos. Percebendo o meu olhar fixo para o pranto incessante dele, o senhor se vira e me pergunta "Por que tanto olhas pra mim?". Nesse momento, percebi a chave da porta do choro do homem. Ele estava usando uma camisa vermelha por baixo do paletó. No peito da camisa velha e surrada, um distintivo de um clube estava bordado. As letras AFC grifadas garrafalmente no centro do círculo me despertaram o motivo de tanta tristeza. Algo havia acontecido ao América.

Como estava na rua, não assisti à nenhum jogo. Muito menos sabia que o América jogaria hoje. Meu receio de perguntar algo tentou impedir-me, mas a curiosidade era maior. "Senhor, o quê aconteceu? O América perdeu?"  Com um ar de desprezo, o velhinho me responde "Perder não perdeu. Empatamos com o Macaé e...fomos rebaixados". Pensei em seguir caminho após saber do motivo do choro, mas me senti preso ao torcedor que sofria. Descobri que ele não tinha 60 anos, mas 70. O homem, portador de cabelos brancos e usando óculos estilo 'fundo de garrafa', me contava sobre o Carioca de 1960 e sobre a Copa dos Campeões de 1980. Me sensibilizei. Ele me contava com tanto entusiasmo que chegava a pensar que o América havia ganho o campeonato hoje.

Ao fim de tanta história, uma frase me pegou de surpresa: "Pela primeira vez, estou desistindo do América. Fui à todos os jogos da Série B de 2009, mas agora acabou. Não dá mais". Sem saber o que falar, me calei, vendo o senhor se levantar e seguir a rua. Com um lenço na mão direita enxugava as lágrimas. A mão esquerda estava no peito. Por cima do escudo. Por cima do coração.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Hala Madrid!

Assistimos hoje a um espetáculo em Madri. Com o Santiago Bernabéu como palco e Adebayor como estrela principal, o Real Madrid arrancou qualquer possibilidade de eliminação nas quartas-de-final da Uefa Champions League. O quatro a zero sobre o Tottenham confirmou a força de Mourinho e a possibilidade de ser competitivo e jogar bonito ao mesmo tempo.

Mesmo depois de perder por 1x0 para o Sporting Gijón no Bernabéu e praticamente dar adeus ao titulo espanhol, o Real não se abateu. Como se fosse uma final, os merengues deram uma surra no time inglês com passes, dribles, pressão e habilidade. O ponto alto de tudo isso foi a volta do sempre ausente Kaká. O brasileiro entrou com muita vontade e mesmo com pouco tempo em campo (dez minutos), deu um passe mágico para o gol de Cristiano Ronaldo.

Fora a vontade de conquistar a Europa, fato que não acontece desde 2002, o clube ainda tem o 'fator Barcelona' como inspiração. O principal rival, dono dos três melhores jogadores do mundo, não sabe o que é deixar uma competição escapar para o Real há muito tempo. Fora isso, o 5x0 que o clube catalão aplicou sobre o Madrid no primeiro turno do espanhol ainda incomoda muita gente na capital espanhola. Caso passe, o que é mais do que óbvio, os merengues enfrentarão o vencedor de Barcelona x Shakhtar.

Madri está pronta para a vingança!

PS: A goleada que o Schalke 04 aplicou na Internazionale foi de doer. 5x2 em pleno Giuseppe Meazza. O clube de Gelsenkirchen é mais um que jogará brincando na segunda partida. Semi-final inédita, e merecida, para os azuis. Leonardo precisa rever seus conceitos...

Foto:Reuters

sábado, 2 de abril de 2011

Com vocês, o campeão


Não existe mais nenhuma possibilidade do título da Serie A sair das mãos do Milan. Vos digo isso após assistir à um espetacular Derbi della Madonnina. Espetacular para a parte rubro-negra, é claro. Não se viu Inter em campo, não se viu Eto'o em campo e muito menos Sneijder. Sobrou pra Julio César salvar o que poderia ser pior.

Pato, duas vezes, e Cassano, de pênalti, marcaram os gols da bela vitória do clube. A diferença entre Milan e Inter aumentou para cinco pontos. Pouco aos olhos de quem olha a tabela. Muito aos olhos de quem assistiu ao jogo. Pato foi impecável. Fez dois gols mostrando puro oportunismo e faria mais, se Chivu não o impedisse com uma falta que levou o romeno à expulsão.

Allegri encurralou Leonardo que, vaiado e xingado pela torcida do Milan, nada pode fazer. Thiago Motta, Cambiasso e Zanetti se embolaram no meio-campo. Iam e não voltavam. O resultado era muito espaço para Robinho, Pato e Boateng armarem o jogo. Pobres são Ranocchia e Chivu. Não tinham ajuda de ninguém para parar o ataque Rossoneri. Maicon era nulo. Sorte do Milan.

O rubro-negro tem uma sequência teoricamente fácil até o fim do campeonato. O maior desafio, talvez, será o último jogo, contra a Udinese, que poderá estar precisando da vitória para garantir a vaga na Champions. Mas do jeito que o Milan vem, a conquista por antecedência é totalmente palpável.

Foto:AP